Mobilidade urbana amplia espaço no debate público e reúne especialistas em série de eventos

Mobilidade urbana amplia espaço no debate público e reúne especialistas em série de eventos

Temas como segurança, resiliência e mobilidade marcaram mais uma edição do CBN Talks, em São Paulo

A mobilidade urbana voltou ao centro das discussões sobre o desenvolvimento das cidades brasileiras. Eventos voltados a cidades inteligentes vêm ganhando espaço na agenda pública e reunindo representantes do poder público e especialistas para discutir soluções ligadas à eficiência, acessibilidade e integração urbana.

Entre os destaques esteve o CBN Talks – Cidades Inteligentes, realizado no último dia 29 de abril, na sede da CBN, no Butantã, em São Paulo, com mediação de Milton Jung, Débora Freitas e Marcella Lourenzetto, âncoras da CBN. A Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de São Paulo (FETPESP) esteve presente no encontro, acompanhando os debates e reforçando a importância do transporte coletivo dentro da agenda de desenvolvimento das cidades.

O evento foi dividido em três painéis, com discussões sobre segurança pública, emergência climática e mobilidade urbana. Durante a programação, ouvintes também participaram enviando respostas à pergunta: “Que São Paulo você quer ver em 2030?”. 

Participaram dos debates nomes como a secretária de Segurança Urbana de São Paulo, Juliana Bussacos, o major da Defesa Civil Rodrigo Fiorentini, o fundador da iCities, Beto Marcelino, e Luís Ceciliatto, da Axis Communications Brasil.

A plateia também participou ativamente, respondendo algumas perguntas, entre elas: quanto tempo você leva para se deslocar de casa até o trabalho?

E a resposta chamou atenção: quase 40% dos participantes afirmaram levar mais de uma hora no deslocamento entre casa e trabalho, reforçando o impacto da mobilidade na rotina da população e na produtividade urbana. Essa pergunta abriu o painel com o tema: A busca por uma mobilidade mais inteligente, mediado pela Débora Freitas com a participação do especialista em mobilidade urbana Flamínio Fischmann e de Pedro Palhares, head de mobile da Moovit. 

Entre os principais pontos debatidos esteve o crescimento urbano desordenado das grandes cidades brasileiras e a dificuldade histórica de planejamento da infraestrutura de mobilidade. Segundo os especialistas, o sistema atual ainda concentra ônibus e automóveis disputando o mesmo espaço viário, o que reduz a eficiência operacional e amplia os congestionamentos.

Os debatedores também chamaram atenção para a perda de passageiros do transporte público após a pandemia. Segundo dados apresentados durante o painel, o setor registrou redução entre 15% e 20% da demanda, impulsionada principalmente pela migração de usuários para carros e motocicletas. Para os especialistas, o movimento agravou o trânsito, elevou os índices de acidentes e pressionou ainda mais os custos operacionais do transporte coletivo.

Outro tema de destaque foi a sustentabilidade financeira do sistema. Durante a discussão, os convidados afirmaram que a redução da demanda diminui diretamente a arrecadação tarifária e aumenta a necessidade de subsídios públicos para garantir a operação de ônibus, metrôs e trens. A avaliação apresentada no encontro é de que o transporte coletivo exige modelos permanentes de financiamento para preservar a qualidade do serviço e assegurar previsibilidade operacional.

A integração entre modais e municípios também apareceu como um dos principais desafios da mobilidade urbana. Os participantes defenderam a criação de políticas metropolitanas integradas, capazes de conectar ônibus, metrô, trem, bicicletas e outros modais dentro de uma lógica regional de deslocamento.

O compartilhamento e a abertura de dados operacionais foram apontados como ferramentas estratégicas para melhorar a eficiência do sistema. Segundo os especialistas, a integração de informações em tempo real permitiria aprimorar aplicativos de mobilidade, prever horários de chegada dos ônibus, reduzir o tempo de espera dos passageiros e ampliar a transparência da operação.

Tecnologia aplicada ao transporte coletivo foi outro eixo importante do painel. Entre as soluções debatidas estiveram o uso de sensores para monitoramento da lotação dos veículos, integração digital entre operadores e poder público, além da modernização dos meios de pagamento, com alternativas como PIX, QR Code e pagamento por aproximação.

O participantes do painel também defenderam maior priorização do transporte coletivo no sistema viário. A ampliação de corredores exclusivos de ônibus e faixas segregadas foi apresentada como medida fundamental para aumentar a velocidade operacional, melhorar a previsibilidade das viagens e reduzir o impacto do trânsito sobre a circulação dos coletivos.

Outro ponto levantado durante o encontro foi a necessidade de modernizar a governança da mobilidade urbana. Os especialistas criticaram falhas de coordenação entre municípios e apontaram que problemas recorrentes, como semáforos desregulados e falhas operacionais, muitas vezes estão ligados mais à falta de manutenção e gestão integrada do que à ausência de tecnologia.

O debate também abordou experiências internacionais de mobilidade. Cidades como Toronto, no Canadá, Barcelona, na Espanha, e Tóquio, no Japão, foram citadas como exemplos de integração entre planejamento urbano, transporte coletivo e tecnologia. Os painelistas destacaram a importância de o Brasil avançar em modelos mais conectados de gestão urbana, capazes de integrar transporte, desenvolvimento econômico e ocupação do espaço urbano.

Para o setor de transporte de passageiros, encontros como esse têm ganhado relevância por ampliar o diálogo entre operadores, especialistas e gestores públicos em um momento de transformação tecnológica e revisão dos modelos de mobilidade urbana.

A sequência de fóruns e debates sobre o tema também evidencia uma mudança na percepção sobre o papel da mobilidade no desenvolvimento econômico e social das cidades. Mais do que discutir deslocamentos, os encontros passaram a incorporar temas como sustentabilidade, inclusão, integração modal, qualidade de vida e planejamento urbano de longo prazo.

Esse movimento também aparece em iniciativas regionais, como o Fórum Santos 500+, que abriu inscrições para discutir os desafios da mobilidade urbana nas próximas décadas. O fórum integra uma agenda voltada ao planejamento estratégico da cidade e irá reunir especialistas e gestores públicos para discutir soluções que envolvem transporte público, mobilidade ativa, tecnologia e integração regional. 

A intensificação desses encontros reflete não apenas a complexidade crescente dos sistemas urbanos, mas também a necessidade de construir soluções conjuntas para cidades mais eficientes e conectadas. Para o setor de transporte de passageiros, o avanço dessas discussões tende a impactar diretamente o planejamento operacional, os investimentos em tecnologia e o futuro do transporte coletivo no País.

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